fmi parte 2.1
Na segunda-feira passada, no programa Prós e Contras, Henrique Medina Carreira referiu que a única esperança de Portugal eram as organizações internacionais, entre elas o FMI, aterrarem na Portela e tomarem conta disto tudo. Nesse momento vieram-me à cabeça as palavras de Joseph Stiglitz que eu tinha lido há algum tempo:
Quando as crises estalavam, o FMI recomendava soluções ultrapassadas e inadequadas, ainda que estandardizadas, sem avaliar as consequências que elas teriam nos países aconselhados a adoptá-las. Raramente vi previsões sobre o efeito que tais medidas teriam na pobreza. Raramente vi discussões e análises atentas das consequências de políticas alternativas. Não se procuravam opiniões alternativas. O debate franco e aberto não era estimulado — não havia lugar para ele. Era a ideologia a nortear a recomendação política a adoptar, e esperava-se que os países seguissem as linhas de orientação do FMI, sem contestação. (…)
Hoje em dia, poucos — excepto aqueles cujos interesses ocultos são beneficiados com a exclusão dos produtos dos países pobres — defendem a hipocrisia que consiste em fingir que ajudam os países em desenvolvimento, obrigando-os a abrir os seus mercados aos produtos dos países industriais avançados, cujos mercados se mantêm protegidos. Estas políticas tornam os ricos ainda mais ricos e os pobres ainda mais pobres, e cada vez mais revoltados.
Mas sim, eu sei, Stiglitz concerteza que não sabe do que fala.

