Archive for February, 2010

As madrugadas de sábado

Saturday, February 20th, 2010

A ler “Obsolete Communism” e a ouvir amiina.

Censura para quem não sabe

Sunday, February 14th, 2010

Parece que anda aí muita gente a queixar-se de censura. Existe um tal de Moniz que recebeu um milhão de euros de indemnização, foi para vice-presidente da sociedade que comprou os tais 30% da TVI e agora clama pelo presidente da república. Estou à espera que devolva o dinheirinho todo que recebeu, visto que no seu entender, recebeu-o para que se calasse. Quanto aos outros, revejam os vossos livros de história e boa noite e boa sorte.

Esta choldra é ingovernável

Sunday, February 7th, 2010

Ao contrário do original não se trata aqui da populaça, dos gentios e das almas incógnitas deste país. Trata-se sim da gente que nos tem desgovernado.

Por um lado temos um primeiro ministro inenarrável, um ex-boy da JSD e um dos seus fundadores, transmutado em socialista vago, debulhando uma carreira académica a todos os títulos impressiva, não pelo conteúdo mas pelo ardil de chegar longe, de qualquer forma, de ser alguém, de se fazer gente. E tudo valeu nesta indecência. Poderíamos ter vislumbrado o que nos esperaria mas a verdade é que, depois de Santana Lopes, quase tudo nos parecia bom.

Na origem disto esteve uma fuga para Bruxelas do então primeiro-ministro Durão Barroso. O pântano deixara de ser respirável. Era ir ou morrer. Foi.

Antes deste tínhamos Guterres, cuja retórica política era a todos os níveis notável mas era só isso. Ideologia zero, acção quase zero (tirando a de alguns ministros notáveis como o caso de Ferro Rodrigues). Recordo por exemplo o caso do primeiro referendo à despenalização do aborto. Juntando-se dois católicos como líderes dos dois maiores partidos, Guterres e Marcelo tudo fizeram para combater o sim, o primeiro pelo silêncio estrutural que impôs ao partido, Marcelo de um modo aberto e coerente, de quem acredita que o espírito santo desce sobre os cardeais que, fechados e lacrados na Capela Sistina, escolhem o próximo papa. Guterres perdeu umas eleições autárquicas e pretendendo desanuviar o pântano pôs-se a andar.

Pena que ele tenha começado numa manhã célebre, não na manhã imortal de Sofia, mas numa manhã igualmente promissora. Lembro-me de ir para a faculdade e de no comboio se respirar a leveza luminosa de Cavaco se ter ido. A populaça teve a oportunidade devida de uns meses depois se vingar deste intelecto pobre e sem dimensão, derrotando-o na eleição presidencial contra Sampaio, que por sua vez tinha anteriormente perdido as eleições internas no PS para Guterres porque, recordo, com ele os socialistas nunca seriam poder. Cavaco é hoje presidente e aprendeu que bolo rei é um anátema de qualquer político que não sabe rir.

Paralelamente existe ainda o espectro parlamentar. Depois de sexta-feira ter assistido ao debate na assembleia sobre a lei de finanças regionais, fiquei a perceber que estamos sós e desprotegidos. Depois de horas de um debate fétido garanto-vos que nenhuma das minhas dúvidas ficou esclarecida:

1. Haverá alguma justiça social em aumentar o endividamento da Madeira ou de
qualquer outra parte do país?
2. Que raio fará o Bloco de Esquerda e a CDU juntarem-se aos partidos
do outro lado do parlamento?
3. Que critério norteará o endividamento?

Não é possível perceber porque não existem ideias em nenhum dos lados, somente um foçar desgovernado de quem não tem forma nem vida para a encher. Estamos sós perante esta choldra, esta gente sem escrúpulos, esta gente de verniz, esta gente malcriada e estúpida. Nenhum consegue ver o que aí vem nem transformá-lo. Parafraseando Barack Obama, nós temos de ser aqueles por quem esperávamos. Temos de ser necessariamente aqueles que tomam o pulso de tudo isto e aspiram a algo mais. Temos de ser aqueles que não se sentem derrotados pelo medo, aqueles que vivem e olham face a face os adversários e lutam para que numa manhã, não demasiado longínqua, possamos todos viver plenamente nas palavras de Sofia

Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo

fmi parte 2.2

Wednesday, February 3rd, 2010

fmi parte 2.1

Wednesday, February 3rd, 2010

Na segunda-feira passada, no programa Prós e Contras, Henrique Medina Carreira referiu que a única esperança de Portugal eram as organizações internacionais, entre elas o FMI, aterrarem na Portela e tomarem conta disto tudo. Nesse momento vieram-me à cabeça as palavras de Joseph Stiglitz que eu tinha lido há algum tempo:

Quando as crises estalavam, o FMI recomendava soluções ultrapassadas e inadequadas, ainda que estandardizadas, sem avaliar as consequências que elas teriam nos países aconselhados a adoptá-las. Raramente vi previsões sobre o efeito que tais medidas teriam na pobreza. Raramente vi discussões e análises atentas das consequências de políticas alternativas. Não se procuravam opiniões alternativas. O debate franco e aberto não era estimulado — não havia lugar para ele. Era a ideologia a nortear a recomendação política a adoptar, e esperava-se que os países seguissem as linhas de orientação do FMI, sem contestação. (…)
Hoje em dia, poucos — excepto aqueles cujos interesses ocultos são beneficiados com a exclusão dos produtos dos países pobres — defendem a hipocrisia que consiste em fingir que ajudam os países em desenvolvimento, obrigando-os a abrir os seus mercados aos produtos dos países industriais avançados, cujos mercados se mantêm protegidos. Estas políticas tornam os ricos ainda mais ricos e os pobres ainda mais pobres, e cada vez mais revoltados.

Mas sim, eu sei, Stiglitz concerteza que não sabe do que fala.

O Mário e os outros

Tuesday, February 2nd, 2010

Parece que o mário crespo será alvo de umas quantas pressões para que
o calem ou que o empurrem para um buraco qualquer do qual não possa
sair sozinho. Nada de novo para ele.
Parece que não temos alternativa senão de chafurdar nestes jotinhas
transformados em homens de palha, no nosso trabalho, nos jornais e no
governo. Já o literato Vasco nos tinha avisado após as últimas
eleições legislativas. O drama é que os partidos políticos ficaram
reféns dessa estratégia de vazio, de pessoas que apenas ambicionam o
poder pelo poder, pois a sua fraca preparação intelectual não lhes
permite ver mais. São fruto de uma educação por objectivos, centrada
no umbigo do indivíduo. O fim único é vencer, não a si próprio
entenda-se, mas os demais, custe o que custar. O sucesso é
isso. Mede-se pelo respeito dos outros. Sem mais. E para isso é
preciso não acreditar em nada, não ter lido nada e sobretudo não
questionar nada. As regras são estas. Nós apenas as jogamos. Foi assim
no tempo da PIDE. É assim agora. De cabeça baixa, cheios de medo, não
percebemos que esse abismo está mesmo à nossa frente, se quisermos
ser bem sucedidos ou se acharmos que isso é realmente importante.