Censura para quem não sabe
February 14th, 2010 by gmoraisParece que anda aí muita gente a queixar-se de censura. Existe um tal de Moniz que recebeu um milhão de euros de indemnização, foi para vice-presidente da sociedade que comprou os tais 30% da TVI e agora clama pelo presidente da república. Estou à espera que devolva o dinheirinho todo que recebeu, visto que no seu entender, recebeu-o para que se calasse. Quanto aos outros, revejam os vossos livros de história e boa noite e boa sorte.
Esta choldra é ingovernável
February 7th, 2010 by gmoraisAo contrário do original não se trata aqui da populaça, dos gentios e das almas incógnitas deste país. Trata-se sim da gente que nos tem desgovernado.
Por um lado temos um primeiro ministro inenarrável, um ex-boy da JSD e um dos seus fundadores, transmutado em socialista vago, debulhando uma carreira académica a todos os títulos impressiva, não pelo conteúdo mas pelo ardil de chegar longe, de qualquer forma, de ser alguém, de se fazer gente. E tudo valeu nesta indecência. Poderíamos ter vislumbrado o que nos esperaria mas a verdade é que, depois de Santana Lopes, quase tudo nos parecia bom.
Na origem disto esteve uma fuga para Bruxelas do então primeiro-ministro Durão Barroso. O pântano deixara de ser respirável. Era ir ou morrer. Foi.
Antes deste tínhamos Guterres, cuja retórica política era a todos os níveis notável mas era só isso. Ideologia zero, acção quase zero (tirando a de alguns ministros notáveis como o caso de Ferro Rodrigues). Recordo por exemplo o caso do primeiro referendo à despenalização do aborto. Juntando-se dois católicos como líderes dos dois maiores partidos, Guterres e Marcelo tudo fizeram para combater o sim, o primeiro pelo silêncio estrutural que impôs ao partido, Marcelo de um modo aberto e coerente, de quem acredita que o espírito santo desce sobre os cardeais que, fechados e lacrados na Capela Sistina, escolhem o próximo papa. Guterres perdeu umas eleições autárquicas e pretendendo desanuviar o pântano pôs-se a andar.
Pena que ele tenha começado numa manhã célebre, não na manhã imortal de Sofia, mas numa manhã igualmente promissora. Lembro-me de ir para a faculdade e de no comboio se respirar a leveza luminosa de Cavaco se ter ido. A populaça teve a oportunidade devida de uns meses depois se vingar deste intelecto pobre e sem dimensão, derrotando-o na eleição presidencial contra Sampaio, que por sua vez tinha anteriormente perdido as eleições internas no PS para Guterres porque, recordo, com ele os socialistas nunca seriam poder. Cavaco é hoje presidente e aprendeu que bolo rei é um anátema de qualquer político que não sabe rir.
Paralelamente existe ainda o espectro parlamentar. Depois de sexta-feira ter assistido ao debate na assembleia sobre a lei de finanças regionais, fiquei a perceber que estamos sós e desprotegidos. Depois de horas de um debate fétido garanto-vos que nenhuma das minhas dúvidas ficou esclarecida:
1. Haverá alguma justiça social em aumentar o endividamento da Madeira ou de
qualquer outra parte do país?
2. Que raio fará o Bloco de Esquerda e a CDU juntarem-se aos partidos
do outro lado do parlamento?
3. Que critério norteará o endividamento?
Não é possível perceber porque não existem ideias em nenhum dos lados, somente um foçar desgovernado de quem não tem forma nem vida para a encher. Estamos sós perante esta choldra, esta gente sem escrúpulos, esta gente de verniz, esta gente malcriada e estúpida. Nenhum consegue ver o que aí vem nem transformá-lo. Parafraseando Barack Obama, nós temos de ser aqueles por quem esperávamos. Temos de ser necessariamente aqueles que tomam o pulso de tudo isto e aspiram a algo mais. Temos de ser aqueles que não se sentem derrotados pelo medo, aqueles que vivem e olham face a face os adversários e lutam para que numa manhã, não demasiado longínqua, possamos todos viver plenamente nas palavras de Sofia
Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo
fmi parte 2.2
February 3rd, 2010 by gmoraisfmi parte 2.1
February 3rd, 2010 by gmoraisNa segunda-feira passada, no programa Prós e Contras, Henrique Medina Carreira referiu que a única esperança de Portugal eram as organizações internacionais, entre elas o FMI, aterrarem na Portela e tomarem conta disto tudo. Nesse momento vieram-me à cabeça as palavras de Joseph Stiglitz que eu tinha lido há algum tempo:
Quando as crises estalavam, o FMI recomendava soluções ultrapassadas e inadequadas, ainda que estandardizadas, sem avaliar as consequências que elas teriam nos países aconselhados a adoptá-las. Raramente vi previsões sobre o efeito que tais medidas teriam na pobreza. Raramente vi discussões e análises atentas das consequências de políticas alternativas. Não se procuravam opiniões alternativas. O debate franco e aberto não era estimulado — não havia lugar para ele. Era a ideologia a nortear a recomendação política a adoptar, e esperava-se que os países seguissem as linhas de orientação do FMI, sem contestação. (…)
Hoje em dia, poucos — excepto aqueles cujos interesses ocultos são beneficiados com a exclusão dos produtos dos países pobres — defendem a hipocrisia que consiste em fingir que ajudam os países em desenvolvimento, obrigando-os a abrir os seus mercados aos produtos dos países industriais avançados, cujos mercados se mantêm protegidos. Estas políticas tornam os ricos ainda mais ricos e os pobres ainda mais pobres, e cada vez mais revoltados.
Mas sim, eu sei, Stiglitz concerteza que não sabe do que fala.
O Mário e os outros
February 2nd, 2010 by gmoraisParece que o mário crespo será alvo de umas quantas pressões para que
o calem ou que o empurrem para um buraco qualquer do qual não possa
sair sozinho. Nada de novo para ele.
Parece que não temos alternativa senão de chafurdar nestes jotinhas
transformados em homens de palha, no nosso trabalho, nos jornais e no
governo. Já o literato Vasco nos tinha avisado após as últimas
eleições legislativas. O drama é que os partidos políticos ficaram
reféns dessa estratégia de vazio, de pessoas que apenas ambicionam o
poder pelo poder, pois a sua fraca preparação intelectual não lhes
permite ver mais. São fruto de uma educação por objectivos, centrada
no umbigo do indivíduo. O fim único é vencer, não a si próprio
entenda-se, mas os demais, custe o que custar. O sucesso é
isso. Mede-se pelo respeito dos outros. Sem mais. E para isso é
preciso não acreditar em nada, não ter lido nada e sobretudo não
questionar nada. As regras são estas. Nós apenas as jogamos. Foi assim
no tempo da PIDE. É assim agora. De cabeça baixa, cheios de medo, não
percebemos que esse abismo está mesmo à nossa frente, se quisermos
ser bem sucedidos ou se acharmos que isso é realmente importante.
Pacheco Pereira por ele próprio
January 11th, 2010 by gmoraisAcerca do casamento e de José Pacheco Pereira
January 11th, 2010 by gmoraisNão sou nem a favor nem contra o casamento. Não tenho qualquer opinião fundamentada acerca do assunto, embora julgue, obviamente, que o casamento não tem como fim em si mesmo a procriação. Por esta razão julgo que quer casais inférteis, quer casais homossexuais, têm tanto direito a casar como eu e a minha mulher tivemos. Do ponto de vista legal, é no entanto evidente que existe uma clara vantagem do casamento em relação a outro tipo de relações estabelecidas, como seja a união de facto, especialmente quando pensamos em direitos sucessórios.
Julgo além do mais, que neste caso o Partido Socialista (PS) se comportou correctamente do ponto de vista formal. É factual que a na campanha eleitoral uma das medidas que o PS referiu como objectivo para a legislatura foi a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo e nada referiu em relação à adopção. Obviamente que isto se ficou a dever simplesmente a um frio cálculo eleitoral. É verdade que, mais uma vez, o PS socrático se limitou a gerir expectativas e a não tomar posições demasiado controversas que lhe impossibilitasse atingir algumas das franjas do eleitorado. É verdade que do ponto de vista político, mais uma vez, o PS pairou sobre uma possível clarificação ideológica, embora se tenha que reconhecer nesta semi-medida, uma forma semi-arrojada de quebrar com um semi-tabú inculcado na sociedade portuguesa. Mais uma vez expresso a minha descrença nesta forma de fazer semi-política.
Uma das coisas que caracteriza de uma forma global os portugueses é, além da pouca exigência intelectual, uma incapacidade abstracta de ultrapassar um individualismo estéril. Não se consegue assim supor, abstractamente, que duas pessoas possam usufruir das mesmas condições que nós, se houver alguma coisa que as distinga de uma maioria de costumes. No caso do casamento, a orientação sexual ou a mistura daquilo que o nosso boçal presidente apelida de raças. É de todas as formas chocante, que o amor que duas pessoas possam nutrir uma pela outra seja desconsiderado em relação ao modo como se articulam sexualmente ou por terem peles diferentes.
A juntar a tudo isto existe ainda a imbecilidade envernizada que alguns comentadores ostentam. E não, não estou a falar de João César das Neves. Estou a falar de José Pacheco Pereira (JPP), uns dos principais ideólogos do actual Partido Social Democrata. Na última quadratura do círculo, JPP juntou aos argumentos habituais contra a possibilidade de um casal homossexual adoptar uma criança o risco de pederastia. Começo por julgar chocante que nenhum dos seus parceiros de debate se tenha prontificado a rebater de imediato esta tese aviltante. Ficou claro, nos seus silêncios, que só o preconceito superficial, não o profundo, cairá por decreto.
A tese de JPP sofre de um de dois males. Se ele acha que não existe qualquer tipo de distúrbio, sexual ou de qualquer outro tipo, num casal homossexual então nesse caso, o risco de pederastia estará igualmente presente num casal heterossexual. Isto tornar-me-à, e a qualquer pai com filhas, um potencial pederasta. O ridículo desta posição parece-me por demais evidente. Uma segunda possibilidade, mais crível, é que JPP reconheça no fundo de si mesmo que um homossexual é uma pessoa com um comportamento desviante e, por isso mesmo, passível de cometer tal delito. Neste caso JPP não passará de um ignóbil preconceituoso, algo que ele próprio terá bastantes dificuldades em admitir.
Em qualquer dos casos a posição de JPP parece-me claramente insustentável, demonstrando uma torpeza vil no entendimento humano do significado de ser pai ou mãe ou, não sendo mais promissor, um preconceito medieval em relação à homossexualidade. Tudo isto vem, obviamente, revestido de uma hipotética profundidade de quem se julga na inversa grandeza da sua intrínseca dimensão. Um teste prático, para medir a verdadeira grandeza de um homem, é calcular o quociente entre o seu verdadeiro valor e a opinião que tem de si próprio. Independentemente do primeiro, JPP obterá, em virtude do segundo, uma nota medíocre.
A jump from a platform
December 17th, 2009 by gmorais
Watch A jump from a platform in Entertainment | View More Free Videos Online at Veoh.com
Ou quando um filme é uma sequência fotográfica.



