Bastidores :: Principezinho :: Regaleira

Posted in fotografia | Leave a comment

Vamos fundar um banco

Porra, vamos fundar um banco! As agências de rating não nos conhecem, criamos uns produtos muito tóxicos com montes de equações de Física e de Matemática, temos AAA de cotação, pedimos 15000 milhões emprestados ao BCE a 1%, emprestamos aos bancos a 4%, eles por sua vez compram dívida pública a 10%. Quando a dívida ficar demasiado pública dizem ao governo que Portugal tem de pedir ajuda ao FMI, o governo pede, o FMI vem, paga aos bancos que compraram a dívida pública, pagam-nos depois de terem tirado os seus 900 milhões de lucro e nós pagamos ao BCE depois de termos tirado os nossos 600 milhõezinhos. No fim Portugal pagou 1500 milhoes de dinheiro que não viu, que nós não vimos, mas que de certeza existe, em notas e em barras de ouro, guardados sigilosamente numa caixa tão forte ao sol no Grande Caimão. Se nós ganhámos como pode alguém ter ficado a perder, Porra?

Posted in coisas da vida | Leave a comment

Jornal do Partido Socialista :: Maio 1974

Memorável jornada Socialista

Hermínio da Palma Inácio, Maria de Jesus Barroso e Manuel Tito de Morais, no 1° de Maio de 1974. Fotógrafo desconhecido ( Ref).

Constituiu memorável jornada de participação e adesão popular o comício organizado, no passado dia 11, pelo núcleo socialista do Barreiro no ”Grupo Desportivo Operário”, com uma assistência de mil e quinhentas pessoas, na sua quase totalidade constituída por trabalhadores e com forte participação feminina.

(…)

Foi abordada uma vasta gama de problemas, nomeadamente o significado do “25 de Abril” e da acção libertadora Movimento de Forças Armadas, as novas perspectivas que se abrem ao futuro do país, a necessidade de consolidar a liberdade reconquistada e do povo participar efectivamente na organização das novas estruturas democráticas, através duma unidade forjada na acção e duma participação política e sindical a todos os níveis e em todos os sectores.

No animado debate que se generalizou entre a assistência e a mesa, foram abordados os problemas específicos que afectam profundamente a população operária do Barreiro,nomeadamente os que se referem à poluição, que corrói a saúde e a vida dos trabalhadores que vivem as 24 horas de cada dia mergulhados nos fumos e nos cheiros tóxidos das fábricas, aos horários de trabalho incompatíveis com as necessidades de repouso e lazer dos operários, aos locais de trabalho policiados, etc.

Foram ainda abordados outros problemas políticos presentes, tais como o do saneamento indispensável à democratização das estruturas administrativas e empresariais, e foi sublinhada a urgência de pôr termo às oligarquias regionais.

Foi finalmente evocada a figura de Humberto Delgado, o “general sem medo”, cobardemente assassinado por criminosos que continuam impunes, e que urge descobrir, julgar e punir.

Posted in coisas da vida | Leave a comment

Hoje é mais um dia…

Hoje é mais um dia em que alguém está preso por exigir
independência da justiça. Hoje é mais um dia em que alguém está
preso por exigir liberdade. Hoje é mais um dia em que a mulher de
alguém está presa precisamente por ser mulher de alguém. Hoje é
mais um dia em que alguém acha que reconhecer o direito a exigir
todas estas coisas é errado e provocatório. Hoje é mais um dia em
que um burocrata se vai sentir orgulhoso por ter silenciado um
agitador. Quão enganado ele está! Hoje é mais um dia em que por
uma visão ínvia de uma doutrina social, uns quantos burocratas
acham que a censura é justificada num país com mil milhões de
homens e mulheres potencialmente livres.

Hoje é mais um dia em que vou explicar às minhas filhas todas
estas coisas. E que é importante, não importa o preço, lutar por
aquilo que acreditamos e contra o que achamos injusto. Hoje é
mais um dia em que lhes vou dizer que fascista (de direita ou de
esquerda) é um burocrata que nos aparta daqueles que amamos,
porque isso nos daria mais força, porque isso nos torna mais
humanos. Hoje é o dia em que eu lhes vou dizer que apesar de
afastado daqueles que ama e quando o seu carcereiro lhe tira a
caneta, Liu Xiaobo escreve poemas no ar com a ponta dos dedos,
simplesmente porque isso lhe devolve toda a sua humanidade e
aumenta a nossa indignação por nunca os podermos vir a ler.

Posted in coisas da vida | 2 Comments

A propósito do aniversário do tuvalu

Posted in amigos, the best of youtube | 2 Comments

Einstuerzende Neubauten :: The Garden

Posted in the best of youtube | Leave a comment

Recepção de Durão Barroso no Parlamento Europeu por Cohn-Bendit

Estas duas intervenções, de 21 e 22 de Julho de 2004, são dois momentos de extraordinária definição política para a Europa, cuja impotência é perfeitamente simbolizada hoje como na altura pela (não) escolha de José Manuel Barroso, e pela encruzilhada da esquerda, explanada por Daniel Cohn-Bendit. Aqui ficam as trancrições integrais, juntamente com a famosa foto de Gilles Caron de Cohn-Bendit à entrada da Sorbonne, nos primeiros dias de Maio de 1968, onde fora chamado com outros elementos do movimento 22 de Março.

21 de Julho de 2004

Cohn-Bendit (Verts/ALE ). – Monsieur le Président, Messieurs les Présidents, chers collègues, nous assistons aujourd’hui à un spectacle étonnant. Nous sommes tout près du paradis.

Si j’en crois M. Barroso, ça va être formidable, on va tous être solidaires, le développement sera durable, l’environnement sera respecté, l’Europe sera puissante mais prudente, l’Europe sera pour le multilatéralisme, bref, dans cinq ans nous pourrons tous aller à la retraite car le paradis sera atteint pour tout le monde, et la politique pourra fermer ses portes.

Je n’ai pas entendu une seule fois le mot problème. Que M. Barroso nous explique pourquoi un réformiste, conservateur, ayant fait l’alliance avec un parti qui est très, très à droite au Portugal, deviendrait tout d’un coup, en Europe, quelqu’un du centre, aussi bien du centre gauche que du centre droit. Quelle évolution magique! Quelle fée l’a touché en partant de Dublin pour arriver à Bruxelles. Qu’on me l’explique pour qu’enfin, je puisse comprendre ce qui nous arrive!

Ensuite, M. Barroso nous dit qu’il veut être un honest broker . Moi, je me méfie des gens qui, par avance, me disent qu’ils sont honnêtes. Moi, vous savez, je veux un homme politique qui dirige, je veux un homme politique qui prenne des initiatives. Pour reprendre l’argument de M. Watson, je suis d’accord pour un pilote, mais ce pilote va-t-il voyager en changeant de direction à chaque fois qu’un de ses passagers ou la tour de contrôle le lui demande, la tour de contrôle étant évidemment le Conseil, et les passagers étant les 732 députés européens? Je voudrais savoir comment ce pilote va fonctionner dans de telles conditions.

Moi, Monsieur Barroso, je vais vous dire une autre chose. Vous nous dites que vous voulez une Europe ceci et cela. Et vous nous dites que vous ne serez pas l’instrument du Conseil, dont acte: vous ne voulez pas être l’instrument du Conseil. Seulement voilà, votre naissance en tant que président désigné de la Commission a été quand même – vous serez d’accord avec moi – un spectacle affligeant: d’honest brokers ont été présentés à la présidence irlandaise qui, en catimini, cachée dans des chambres que je ne connais pas, sortait d’un côté comme de l’autre des candidats pour, à la fin, nous dire on a le meilleur, M. Barroso! Mais pourquoi n’avez-vous pas été le premier candidat, si vous êtes le meilleur? Pourquoi avons-nous dû attendre des semaines et des semaines pour arriver à ce formidable Barroso de l’année tant et tant…

Eh oui! Messieurs, eh oui! Mesdames, je crois que si nous voulons travailler ensemble, nous devons nous dire quelques vérités. Vous êtes la troisième roue de rechange. Je ne vous le reproche pas, je le reproche au Conseil. C’est à ce sujet que je demande à ce Parlement une chose. Si ce Parlement veut un jour se faire respecter, eh bien qu’il oppose au Conseil un «non» clair et décidé. Le Conseil n’a jamais retenu une proposition de ce Parlement telle quelle. Le Conseil a déchiré la moitié de la proposition de la Convention pour la Constitution, et masochistes comme nous sommes, nous disons bravo et merci. Vous nous proposez Barroso! allons-y pour Barroso! De toute façon nous sommes des carpettes. Eh bien non, nous ne voulons pas être des carpettes!

Ces propos ne sont pas dirigés contre vous, mais ils veulent dire qu’il y a un problème de démocratie fondamentale dans cette Europe, que le Conseil, que les hommes de gouvernement qui le composent – même ceux de mon gouvernement préféré, qui est le gouvernement allemand – quand ils sont au gouvernement, sont intergouvernementaux. Il faut leur faire comprendre une fois pour toutes que l’Europe ne se résume pas au seul Conseil de l’Europe; l’Europe, c’est à la fois le Conseil, les institutions communautaires et la Commission, ce qu’ils n’ont pas compris. Si ce Parlement pour une fois, mais ce serait le paradis, disait non au Conseil, eh bien, pendant cinq ans, il serait respecté par le Conseil.

Voilà ce que nous avons à décider.

(Applaudissements à gauche)

C’est pour cela que j’en appelle aux libéraux, qui ont toujours lutté pour ce Parlement: vous pouvez aujourd’hui rendre un service à l’Europe en faisant comprendre au Conseil que nous n’acceptons plus ses manières d’agir. C’est pour cela et pour ces raisons que les Verts, après avoir entendu M. Barroso, après avoir entendu M. Poettering, après avoir entendu M. Schulz, après avoir entendu M. Watson, voteront non à M. Barroso.

(Applaudissements à gauche)

22 de Julho de 2004

Cohn-Bendit (Verts/ALE ). – Cher Monsieur Barroso, laissez-moi aujourd’hui trouver un autre registre qu’hier. Au nom d’un passé commun, où nous avons chanté ensemble Grândola vila morena , il y a trente ans, je vous dois de la franchise, une franchise très simple.

La gauche de ce Parlement a un problème: ce qui la caractérise, c’est la décomposition idéologique, et chez les Verts, le problème est aussi fort que chez les autres. La droite a un problème: ce qui la caractérise, c’est l’autoritarisme, le moralisme et le néolibéralisme.

Enfin, la vie est compliquée et s’aimer, c’est se dire la vérité. Je vous aime.

Monsieur Barroso, vous affirmez être un réformiste centriste. Or, le problème du centre, c’est l’opportunisme. C’est pour cela, Monsieur Barroso, que mon groupe ne peut vous donner la confiance. En effet, si vous rencontrez les uns, vous êtes pour le développement durable, si vous rencontrez les autres, vous êtes pour le marché, si vous rencontrez les troisièmes, vous êtes pour le social, si vous rencontrez Dieu, vous êtes pour Dieu, et si vous rencontrez les laïcs, vous vous opposez à ce que Dieu figure dans la Constitution européenne.

(Applaudissements à gauche)

Monsieur Barroso, je suis sûr que vous pouvez être un bon président de la Commission. Le problème est exactement ce que Martin Schulz a, pour une fois, dit d’une manière très claire. Si, à un moment de tous vos discours, vous aviez été capable de nous montrer une petite contradiction, si vous aviez dit: «C’est vrai que j’ai pris cette décision, mais c’était difficile! Et me retrouver aux Açores dans les bras de Bush, deux ans après, j’ai un peu honte de cette situation, vu ce qui se passe en Irak.» Si, à un moment donné, vous nous aviez dit, vu ce qui se passe socialement dans votre pays aujourd’hui après vos réformes, que vous mettiez en doute la manière dont vous aviez mené ces réformes; si, à un moment, nous nous étions sentis reconnus dans nos problèmes, nous aurions pu dire: «Comme il sait bien communiquer et comme il sait changer, il faut lui donner une chance».

Mais, parce qu’à aucun moment vous n’avez été capable de ce doute, qui est la philosophie européenne la plus intelligente, Monsieur Barroso, le groupe des Verts, d’une manière franche, honnête et claire, ne vous donnera pas la confiance aujourd’hui.

Si vous êtes élu, je vous dirai bravo, et si vous n’êtes pas élu, je vous dirai: «Pendant vos vacances, lisez Socrate».

(Applaudissements à gauche)

(fonte: Parlamento Europeu)

Posted in coisas da vida | Leave a comment

As madrugadas de sábado

A ler “Obsolete Communism” e a ouvir amiina.

Posted in coisas da vida | Leave a comment

Censura para quem não sabe

Parece que anda aí muita gente a queixar-se de censura. Existe um tal de Moniz que recebeu um milhão de euros de indemnização, foi para vice-presidente da sociedade que comprou os tais 30% da TVI e agora clama pelo presidente da república. Estou à espera que devolva o dinheirinho todo que recebeu, visto que no seu entender, recebeu-o para que se calasse. Quanto aos outros, revejam os vossos livros de história e boa noite e boa sorte.

Posted in coisas da vida | 1 Comment

Esta choldra é ingovernável

Ao contrário do original não se trata aqui da populaça, dos gentios e das almas incógnitas deste país. Trata-se sim da gente que nos tem desgovernado.

Por um lado temos um primeiro ministro inenarrável, um ex-boy da JSD e um dos seus fundadores, transmutado em socialista vago, debulhando uma carreira académica a todos os títulos impressiva, não pelo conteúdo mas pelo ardil de chegar longe, de qualquer forma, de ser alguém, de se fazer gente. E tudo valeu nesta indecência. Poderíamos ter vislumbrado o que nos esperaria mas a verdade é que, depois de Santana Lopes, quase tudo nos parecia bom.

Na origem disto esteve uma fuga para Bruxelas do então primeiro-ministro Durão Barroso. O pântano deixara de ser respirável. Era ir ou morrer. Foi.

Antes deste tínhamos Guterres, cuja retórica política era a todos os níveis notável mas era só isso. Ideologia zero, acção quase zero (tirando a de alguns ministros notáveis como o caso de Ferro Rodrigues). Recordo por exemplo o caso do primeiro referendo à despenalização do aborto. Juntando-se dois católicos como líderes dos dois maiores partidos, Guterres e Marcelo tudo fizeram para combater o sim, o primeiro pelo silêncio estrutural que impôs ao partido, Marcelo de um modo aberto e coerente, de quem acredita que o espírito santo desce sobre os cardeais que, fechados e lacrados na Capela Sistina, escolhem o próximo papa. Guterres perdeu umas eleições autárquicas e pretendendo desanuviar o pântano pôs-se a andar.

Pena que ele tenha começado numa manhã célebre, não na manhã imortal de Sofia, mas numa manhã igualmente promissora. Lembro-me de ir para a faculdade e de no comboio se respirar a leveza luminosa de Cavaco se ter ido. A populaça teve a oportunidade devida de uns meses depois se vingar deste intelecto pobre e sem dimensão, derrotando-o na eleição presidencial contra Sampaio, que por sua vez tinha anteriormente perdido as eleições internas no PS para Guterres porque, recordo, com ele os socialistas nunca seriam poder. Cavaco é hoje presidente e aprendeu que bolo rei é um anátema de qualquer político que não sabe rir.

Paralelamente existe ainda o espectro parlamentar. Depois de sexta-feira ter assistido ao debate na assembleia sobre a lei de finanças regionais, fiquei a perceber que estamos sós e desprotegidos. Depois de horas de um debate fétido garanto-vos que nenhuma das minhas dúvidas ficou esclarecida:

1. Haverá alguma justiça social em aumentar o endividamento da Madeira ou de
qualquer outra parte do país?
2. Que raio fará o Bloco de Esquerda e a CDU juntarem-se aos partidos
do outro lado do parlamento?
3. Que critério norteará o endividamento?

Não é possível perceber porque não existem ideias em nenhum dos lados, somente um foçar desgovernado de quem não tem forma nem vida para a encher. Estamos sós perante esta choldra, esta gente sem escrúpulos, esta gente de verniz, esta gente malcriada e estúpida. Nenhum consegue ver o que aí vem nem transformá-lo. Parafraseando Barack Obama, nós temos de ser aqueles por quem esperávamos. Temos de ser necessariamente aqueles que tomam o pulso de tudo isto e aspiram a algo mais. Temos de ser aqueles que não se sentem derrotados pelo medo, aqueles que vivem e olham face a face os adversários e lutam para que numa manhã, não demasiado longínqua, possamos todos viver plenamente nas palavras de Sofia

Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo

Posted in coisas da vida | 1 Comment