Diz-se muitas vezes que uma pessoa é heterossexual por defeito ou omissão. No meu caso, e após demorada reflexão durante toda a minha adolescência, nunca compreendi o lado estético de gostar de homens.
Julgo mesmo que a nobreza das mulheres pode ser medida pelo facto de gostarem destes fanfarrões absurdos. Sendo ainda mais claro, não há paciência para aturar a maior parte dos homens, sobretudo os que têm defeituosos níveis de testosterona. É verdade que existem homens com quem é extremamente agradável de estar mas esses, já perceberam há muito que são as mulheres que mandam no mundo. E também deixaram de lutar contra isso. Isto está para as relações sociais como o princípio de D’Alembert está para a Mecânica: uma partícula segue sempre o percurso que minimiza a acção.
É verdade que as mulheres, com todas as meias palavras que as caracterizam, com aquela coisa do “eu não te disse mas julguei que tivesses percebido”, como se nós passássemos o tempo todo a tentar adivinhar o que elas dizem em tudo o que não pronunciam, pode levar qualquer um, homem ou mulher, à loucura. É também evidente que as mulheres são muito mais espertas que os homens, pois basta ver como elas competem umas com as outras, sempre com sorrisos e abraços e querida para aqui e para ali, com aquelas coisas do “estás linda hoje!” querendo significar apenas “essa peida não pára de aumentar!”. Depois, quando nos perguntam “achas que as minhas mamas estão demasiado grandes?”, como se para os homens houvessem mamas demasiado grandes, ou “achas que devia perder uns quilitos?”, estavam à espera que soubéssemos a resposta.
Com os homens não há subtileza. Já viram os homens a jogar à bola? Pois as relações masculinas são basicamente isso. No início é tudo abraços, mas mal a bola rola adeus. Começa tudo à porrada, como quem diz “passas por aqui e levas”. Muita gente não percebe o encanto do futebol mas é só isto. É uma guerra com hora marcada e com árbitro, que acaba, na maior parte das vezes, como começou. Ninguém está preocupado com a beleza ou fealdade da peida dos jogadores. Ninguém, nenhum homem entenda-se, consegue imaginar um balneário cheio de gajos, a porem as caneleiras e a afiar os pitons e alguém dizer “não sei que meias hei-de levar vestidas”, ou alguém pensar “estes calções não me fazem sobressair os glúteos!”, porque um gajo destes não joga mais depois de levar a primeira pantufada, um gajo destes não tem, falando em futebolês escorreito, estofo para esta merda.
E depois há as mulheres que mais parecem homens e homens que mais parecem mulheres, seres híbridos que resultam do Darwinismo social. E meus amigos, para estes é que não há mesmo pachorra. Como é que se pode jogar à bola com um gajo que nos está a dizer intuitivamente “esses quadricipedes já não são o que eram!”, sem sabermos se vamos levar porrada ou não. E conseguem imaginar meter conversa com uma mulher que antes de falar já está a pensar “belas palmadas vais levar nesses costados!”. Eu pelo menos não consigo.
E existem as mulheres apoixanantes, que, diga-se em abono da verdade, são quase todas, para as quais eu olho e penso “porra, esta é demasiada areia para o meu triciclo a pedais!”, porque as mulheres são isso mesmo, deslumbrantes, cheias de formas e solilóquios, enormes na sua fragilidade aparente, mas junto das quais nos sublimamos. Após toda a reflexão tenho apenas uma certeza, a de que se fosse mulher seria lésbica.